quarta-feira, abril 18, 2007

Pra começar bem o dia

7h20 da manhã e eu presa num engarrafamento na Av. Rebouças, atrasada pra minha aula que começaria às 7h30 no Shopping Villa Lobos... Surtar??? Não! Melhor colocar um CD pra animar. Afinal, o que não tem remédio, remediado está. É sempre bom ter em mão um CD com músicas selecionadas para essa ocasião. Eu tenho o meu. Começa com Sidney Magal!!! Depois tem Cindy Lauper, Madonna, e muito mais! Não tem como ficar mal! Dessa forma, eu chego na minha primeira aula com um super astral e o dia fica beeem mais leve. Dá só uma olhada nessa música do Sidão (já somos íntimos!)

Tenho
Sidney Magal


Tenho
Um mundo de sensações
Um mundo de vibrações
Que posso te oferecer

Tenho
Ternura para brindar-te
Caricias para entregar-te
Meu corpo pra te aquecer

(refrão)
Serão os dias mais felizes
Se vives junto a mim
Espero que decidas
É só dizer que sim

Tenho
Mil braços para abraçar-te
Mil bocas para beijar-te
Mil noites para viver

Tenho
Um mundo que é cor de rosa
De coisas maravilhosas
Que tanto sonhavas ter

(refrão)

quarta-feira, abril 04, 2007

Uma lição da Deusa - Shankaracharya


Você pode achar que nunca ouviu falar de Shankaracharya, mas é provável que você mesmo ou alguém que conheça tenha sido influenciado pelo seu pensamento. Shankara foi um dos primeiros yogis a divulgar amplamente a idéia de que o mundo é um total "maya", uma ilusão, e que nós na realidade, somos todos um.

Ele foi um dos pensadores mais influentes da história asiática. Entretanto, na maior parte da sua vida, desprezou o princípio feminino, considerando tudo o que dissesse respeito à matéria ou ao desejo uma condição inferior do ser.Certo dia, no final de sua curta vida, quando estava entrando em um templo de Shiva, Shankaracharya encontrou uma mulher histérica de casta inferior bloqueando seu caminho. Ela soluçava descontroladamente sobre o cadáver do marido. Shankara achou a cena repugnante e desagradável.

- Saia do meu caminho! - ordenou.
A mulher iletrada olhou para ele com desconfiança.
- Voce não é o mestre que diz que todas as coisas são Brahman, que todas as coisas são Deus, que não há impureza em lugar algum? - retrucou ela, com amargura. - Se eu não sou impura, por que devo sair do seu caminho? Se eu sou a realidade onipresente, com "posso" sair do seu caminho?
Shankara ficou chocado demais para responder.

A mulher ainda não tinha terminado.

- O seu poderoso Brahman não é mais do que isto! - gritou ela, apontando o marido morto.
Naquele momento, a mente do grande pensador se abriu com violência. Ele se lembrou de uma das imagens mais dramáticas da vasta iconografia religiosa da Índia: a esfarrapada Deusa Kali pressionando o cadáver do Deus Shiva. "Sem o poder Dela, o próprio Shiva não é capaz de se erguer", dizem os shaktas, os adoradores da Deusa.
Naquela fração de segundo, Shankara compreendeu que, ao negligenciar a Deusa, ele perdera a própria essência da vida. Imaginando Brahman como consciência totalmente abstrata, pura e imóvel, ele tinha esquecido o aspecto fecundo, criativo e vivo da realidade, o feminino. Agora, a própria Kali estava se manifestando para fazê-lo lembrar da sua glória.
Para horror dos seus discípulos, Shankaracharya ajoelhou-se e segurou os pés da mulher, agradecendo-lhe pela lição.
- Não, você não é impura. A minha mente é que era impura. Nunca encontrei um mestre maior do que você.
Shankara desistiu de escrever sobre filosofia e passou os últimos anos de sua vida compondo poemas extáticos para a Deusa, alguns dos quais ainda são considerados como os mais lindos entre os versos do idioma sânscrito.
Através dos séculos, desde Shankara, as mulheres de percepção extraordinária, quer festejadas, quer anônimas como a pesarosa viúva, deixaram as suas marcas indeléveis na espiritualidade indiana, com ou sem a aprovação da sociedade.
Hoje mulheres semelhantes andam pelo solo da Índia. Algumas cuidam de suas famílias em aldeias rurais inatingíveis por qualquer estrada pavimentada. Algumas estudam ou ensinam em universidades. Algumas vivem invisivelmente em choupanas nas florestas e em cavernas nas montanhas.

ECOPAGANISMO


“É difícil fazer com que um homem entenda algo quando seu salário depende que ele NÃO entenda algo”.
Upton Sinclair

A humanidade está sentada em cima de uma bomba-relógio. Se a grande maioria dos cientistas estiver correta, nós temos apenas 10 anos para evitar uma grande catástrofe que poderia mandar nosso planeta as cucuias, com uma destruição em escalas épicas envolvendo um clima extremo, enchentes, secas, epidemias, ondas de calor assassinas, algo além de tudo que nós um dia pudemos imaginar.

O que é AQUECIMENTO GLOBAL???

O dióxido de carbono e outros gases esquentam a superfície do planeta naturalmente, prendendo o calor solar na atmosfera. Isso é bom porque mantém nosso planeta habitável. No entanto, queimando combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo e destruindo florestas, nós aumentamos dramaticamente a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera da Terra e as temperaturas estão aumentando.

A grande maioria dos cientistas concorda que o aquecimento global é real, já está acontecendo e que é resultado de nossas atividades, e não uma ocorrência natural. A evidência é impressionante e inegável.

Nós já estamos vendo mudanças. As geleiras estão derretendo, plantas e animais estão sendo retirados à força de seus habitat, e o número de tempestades graves e secas está aumentando.


- O número de furacões de categorias 4 e 5 quase dobrou nos últimos 30 anos.
- A malária se espalhou para altitudes mais altas como os Andes colombianos.
- A vazão de gelo das geleiras na Groelândia mais que dobrou na última década.
- Pelo menos 279 espécies de plantas e animais já estão sentindo os efeitos do aquecimento global, mudando-se para mais perto dos pólos.


Se o aquecimento continuar, nós podemos esperar por conseqüências catastróficas.

- Mortes ocasionadas pelo aquecimento global vão dobrar em apenas 25 anos – para 300.000 pessoas por ano.
- O nível do mar pode subir mais de 6 metros com o derretimento da camada de gelo na Groelândia e Antártica, devastando as áreas costeiras ao redor do mundo.
- Ondas de calor serão mais freqüentes e mais intensas. Secas e incêndios ocorrerão mais vezes. O Oceano Ártico pode não ter gelo nenhum no verão de 2050.
- Mais de um milhão de espécies ao redor do mundo podem ser levadas à extinção até 2050.


A boa notícia é que nós podemos resolver esse problema. Na verdade, nós temos uma obrigação moral de fazer isso. Pequenas mudanças na sua rotina podem fazer uma grande diferença para ajudar a parar o aquecimento global. A hora de nos juntarmos para resolver esse problema é AGORA!!!!!!!!!!!!

O que você pode fazer em casa???


- troque as lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes;
- limpe regularmente os filtros do ar-condicionado;
- use menos água quente;
- seque as suas roupas no varal ao invés de usar secadora;
- desligue e tire da tomada equipamentos eletrônicos que não estão sendo utilizados;
- só use a lava-louças se estiver completamente cheia;
- recicle!
- compre produtos de papel reciclado;
- plante MUITAS árvores;
- compre alimentos produzidos perto da sua casa;
- compre comida fresca ao invés de congelada;
- opte por comida orgânica sempre que puder;
- evite produtos muito embalados;
- coma menos carne.

O que você pode fazer enquanto se desloca???


- reduza o número de quilômetros que você dirige seja andando, pedalando, pegando carona com um amigo, ou utilizando transporte público sempre que puder;
- faça um esquema de rodízio com seus colegas de trabalho ou amigos, cada um dá carona aos outros num dia;
- mantenha seu carro regulado;
- calibre os pneus semanalmente;
- quando for trocar de carro, escolha um mais eficiente;
- voe menos de avião (o que não vai ser difícil por aqui, com todo esse caos nos aeroportos!!!).

Ajude a mudar localmente, nacionalmente e internacionalmente!

Suas ações para reduzir o aquecimento global podem se ampliadas além da redução de suas próprias emissões. Todos nós temos alguma influência em nossas escolas, locais de trabalho, negócios, e sociedade dependendo de como nós compramos, investimos, participamos e votamos.


- Encoraje sua escola ou trabalho a reduzir emissões;
- Junte-se à marcha virtual (
http://www.stopglobalwarming.org/);
- Encoraje a troca para energia renovável (
http://www.votesolar.org/);
- Proteja e conserve a florestas do mundo (
http://www.conservation.org/);
- Considere o impacto dos seus investimentos;
- Mantenha sua cidade legal;
- Diga ao Congresso que AJA!!!
Tenha certeza de que sua voz é ouvida.

sexta-feira, março 02, 2007

A Chegada do Sol

Pois é, chegou nesse finzinho de verão, e chegou causando! Tem o olhar mais doce do mundo, mas é muito bagunceiro!!! Sua brincadeira favorita é derrubar seu pote de água e deitar em cima. Talvez seja essa a única maneira de apaziguar seu calor... Lindo, lindo, lindo... Impossível não se apaixonar por SURYA.


Uma Introdução ao Hinduísmo

Há algum tempo, desde que assumi o nick Sarasvati, venho estudando e divulgando as raízes do pensamento Hindu, que muitos poucos conhecem. Resolvi começar essa tarefa desmistificando algumas deusas, como Kali, Lakshmi, Parvati entre outras, que eram mal-interpretadas pela comunidade pagã. Mas percebi que deixei uma lacuna, pois é preciso que se conheça as bases da cultura para que se possa compreendê-la. Por esse motivo resolvi publicar esse artigo, que não tem a “pretensão” de explicar o inexplicável, mas sim de lançar uma semente para que, a partir dele, os leitores possam por si mesmos procurar entender e compreender o pensamento indiano.
O Hinduísmo é essencialmente um fenômeno indiano. É a fé dominante na Índia, praticado por mais de 80% da população. Já que a religião é um modo de vida, o Hinduísmo forma uma parte integral de toda a tradição indiana. Eu vou apresentar aqui somente uma breve discussão nas bases dessa religião universal.

Definição

Não é nem um pouco fácil definir Hinduísmo, pois ele é mais do que uma religião no sentido ocidental. Também conhecido por seus praticantes por Sanatana Dharma, o que significa religião duradoura ou religião/verdade/regra eterna, o Hinduísmo pode ser mais bem definido como um modo de vida baseado nos ensinamentos de sábios e escrituras antigas como os Vedas e os Upanishads. A palavra dharma conota ‘o que sustenta o universo’ e na verdade significa qualquer caminho de disciplina espiritual que leva a Deus.

O Hindu Dharma pode ser comparado a uma árvore frutífera, com suas raízes representando os Vedas e os Upanishads, seu tronco grosso simbolizando as experiências espirituais de inúmeros sábios e santos, seus galhos representando várias tradições teológicas, e os frutos em si, com diferentes tamanhos e formas, simbolizando várias seitas e subseitas. No entanto, o conceito de Hinduísmo resiste abertamente a uma definição definitiva devido sua singularidade.

Singularidade

O Hinduísmo não tem um fundador, ou qualquer doutrina central para onde as controvérsias possam se referir para uma resolução. Também não há um ponto no tempo quando pode-se dizer que ele se iniciou. Não é necessário que seus partidários aceitem qualquer idéia, e por isso é cultural, não doutrinário, com uma história contemporânea às pessoas com as quais é associado. Também é marcado por uma atitude que parece acomodar perspectivas religiosas e culturais em vez de perspectivas próprias, e por isso é caracterizado por uma rica variedade de idéias e práticas resultando no que parece ser uma multiplicidade de religiões sob o termo ‘Hinduísmo’.

O Hinduísmo é talvez a única tradição religiosa que é tão diversificada que é como uma compilação de religiões. O Hinduísmo nunca pode ser classificado em qualquer sistema de crença particular – monismo, teísmo, monoteísmo, politeísmo, panteísmo, panenteísmo – já que todos esses sistemas estão refletidos em suas muitas facetas.

Origem

De acordo com os historiadores, a origem do Hinduísmo tem cerca de 5.000 anos ou mais. A palavra Hindu vem do nome do Rio Indo, que corre no norte da Índia. Em tempos antigos o rio era chamado de ‘Sindhu’, mas os persas que migraram para a Índia o chamaram de ‘Hindu’, a terra de ‘Hindustão’ e seus habitantes de ‘Hindus’. Por isso a religião seguida pelos Hindus veio a ser chamada de ‘Hinduísmo’.

Segundo os acadêmicos, a evolução do Hinduísmo pode ser dividida em três períodos: o antigo (6.500 a.C. – 1.000 d.C), o medieval (1.000 a 1.800 d.C.), e o moderno (1.800 d.C. até o presente). O Hinduísmo é considerado a religião mais antiga da história da civilização humana.
Antigamente acreditava-se (inclusive eu!!!) que as doutrinas básicas do Hinduísmo foram trazidas à Índia pelo arianos que invadiram as civilizações do Vale do Indo e se estabeleceram ao longo das margens do rio Indo em torno de 2.000 a.C. No entanto, a suposta invasão do subcontinente indiano pelo Arianos foi invalidada e atualmente é considerada nada mais que um mito.

Princípios Básicos

O Hinduísmo não tem um sistema unificado de crenças e idéias. Ele é um fenômeno e representa um amplo espectro de crenças e práticas que por um lado são parecidas com o paganismo, panteísmo e similares, e por outro lado são idéias metafísicas muito profundas e abstratas.

Já que religião e cultura são termos praticamente permutáveis no Hinduísmo, expressões sentimentais como ‘bhakti’ (devoção) ou ‘dharma’ (o que é certo) e ‘yoga’ (disciplina) são usadas para descrever aspectos essenciais da religião. O Hinduísmo acredita na adoração de ídolos, reencarnação, ‘karma’, ‘dharma’, e ‘moksha’. Alguns ideais morais no Hinduísmo incluem não-violência (acho que a maioria de nós já ouviu falar de como Gandhi conseguiu liderar o povo indiano para lutar contra a dominação britânica partido desse princípio!), autenticidade, amizade, compaixão, coragem, auto-controle, pureza e generosidade (que tal aproveitarmos o ano vindouro para nos inspirarmos em tais princípios???). A vida humana é dividida em quatro estágios, e para cada estágio existem rituais e ritos específicos, desde o nascimento até a morte.

Escrituras

Dois tipos de textos sagrados constituem as escrituras Hindus: o que é ouvido (sruti) e memorizado (smriti).

A literatura sruti se refere à rotina dos antigos santos Hindus que levavam uma vida solitária nas florestas, onde desenvolviam uma consciência que os permitiam ‘ouvir’ ou perceber as verdades do universo. A literatura sruti é dividida em duas partes: os Vedas e os Upanishads.

Há quatro Vedas: o Rig Veda (Conhecimento Real), o Sama Veda (Conhecimento dos Cânticos), o Yajur Veda (Conhecimento dos Rituais Sacrificiais) e o Atharva Veda (Conhecimento das Encarnações).

Já os Upanishads são mais numerosos. Há 108 deles no total. Os 10 mais importantes são: Isa, Kena, Katha, Prashna, Mundaka, Mandukya, Taitiriya, Aitareya, Chandogya e Brihadaranyaka.

A literatura smriti se refere aos poemas e épicos memorizados ou lembrados. Eles são mais populares entre os Hindus, pois são mais fáceis de entender, explicam verdades universais através de simbolismo e mitologia, e contêm algumas das histórias mais bonitas na História da literatura religiosa mundial. Os três textos mais importantes da literatura smriti são:

Bhagavad Gita – A mais conhecida das escrituras Hindus, chamada de “Canção do Divino Mestre”, escrita no 2o. século a.C. e forma a sexta parte do Mahabharata. Ela contém algumas das mais brilhantes lições teológicas sobre a natureza de Deus e da vida que já foi escrita. Também inspirou nosso querido Raul e seu amigo Paulo Coelho a escreverem a canção Gita. Ouçam-na mais uma vez, dessa vez prestando atenção!!!

Mahabharata – O mais longo poema épico, escrito a partir do 9o. século a.C., trata da luta de poder entre as famílias Pandava e Kaurava, com episódios que compõem a vida. É um livro que mostra a formação do povo Hindu, assim como o Velho Testamento conta a história do Povo Judeu. É leitura obrigatória para todos aqueles que um dia pretendem conhecer um pouco dessa cultura tão rica!!!

Ramayana – O mais popular dos épicos Hindus, composto por Valmiki por volta dos 4o. ou 2o. séculos a.C. com adições tardias até o ano 300 d.C. Ele descreve a história do casal real de Ayodha – Rama e Sita e toda uma legião de outros personagens e seus feitos. Esse eu ainda preciso ler... L

Deuses e Deidades

O Hinduísmo acredita que existe apenas uma força suprema e absoluta chamada Brahman. No entanto, o Hinduísmo é mais associado a uma multiplicidade de Deuses e isso não defende a adoração de uma deidade particular. Os Deuses e Deusas do Hinduísmo chegam a milhares, todos representando os muitos aspectos de Brahman.

A mais fundamental das deidades Hindus é a Trindade de Brahma, Vishnu e Shiva – respectivamente o criador, o mantenedor e o destruidor. O Hindus também adoram espíritos, árvores e animais. As Deidades são representadas por uma complexidade de imagens e ídolos simbolizando poderes divinos. Muitos desses ídolos são abrigados em templos ornamentados e beleza e grandeza incomparáveis.

Bom, vou ficando por aqui com a sensação de que não falei nem um quinto do que deveria ter dito... Mas realmente espero ter plantado aquela sementinha e que vocês se sintam mais próximos dessa cultura tão apaixonante que é a cultura Hindu!

TAT TVAM ASI
Sarasvati

sexta-feira, novembro 24, 2006

Lakshmi - Fortuna, Amor e Encanto.


“Om Shrim Maha Lakshmiyei Swaha”
(“Om e saudações a Ela que fornece abundância”)




A Deusa Lakshmi, também conhecida como Shri, é personificada não somente como a Deusa da Fortuna, mas também como a incorporação do amor, da graça e do encanto. Ela é adorada como uma deusa que garante tanto a prosperidade quanto a liberação do ciclo da vida e da morte.
Lakshmi ergueu-se do mar de leite, o oceano cósmico primordial, segurando um lótus vermelho em sua mão. Cada membro da divina trindade - Brahma, Vishnu e Shiva (o criador, o mantenedor e o destruidor respectivamente) - queria tê-la para si. O pedido de Shiva foi recusado porque ele já havia pedido a Lua, Brahma tinha Sarasvati, então Vishnu pediu por ela e ela nasceu e renasceu como sua consorte em todas as suas dez encarnações.
Mas apesar de ter ficado com Vishnu como sua consorte, Lakshmi continuou sendo devota de Shiva. Há uma lenda interessante envolvendo sua devoção a esse deus:
Diariamente Lakshmi pegava mil flores colhidas por suas damas de companhia e as oferecia à imagem de Shiva de noite. Um dia, contando as flores enquanto ela colocava a oferenda, ela descobriu que havia menos que mil. Já era muito tarde para colher mais porque já era noite e os lótus já tinham fechado suas pétalas.
Lakshmi achou que era de mau agouro oferecer menos que mil. De repente ela se lembrou que Vishnu uma vez descreveu seus seios como lótus se abrindo. Ela decidiu oferece-los como as duas flores que estavam faltando.
A deusa cortou um de seus seios e colocou-o com as flores no altar. Antes que ela pudesse cortar o outro, Shiva, que estava extremamente emocionado com a sua devoção, apareceu na sua frente e pediu que parasse. Então ele transformou seu seio cortado em um redondo e sagrado marmelo (Aegle marmelos) e enviou-o à Terra com suas bênçãos, para florescer perto de seus templos.
Alguns textos dizem que Lakshimi é a esposa de Dharma. Ela e muitas outras deusas, todas personificações de certas qualidades auspiciosas, foram dadas em casamento a Dharma. Essa associação parece a princípio representar a união de Dharma (a conduta virtuosa) com Lakshmi (prosperidade e bem-estar). A moral da história é ensinar que agindo de acordo com Dharma é possível obter prosperidade.
Algumas tradições também associam Lakshmi com Kubera, o horrendo lorde dos Yakshas. Os Yakshas foram uma raça de criaturas sobrenaturais que viveram fora dos limites da civilização. Sua conexão com Lakshmi talvez descende do fato que eles foram notáveis por uma propensão para coletar, guardar e distribuir riquezas. A associação com Kubera aprofunda a aura de mistério e conexões com o submundo que se anexam à Lakshmi. Yakshas também são símbolos de fertilidade. As Yakshinis (Yakshas fêmeas) representadas freqüentemente em esculturas nos templos são mulheres com seios cheios e quadris largos com bocas amplas e generosas, inclinando-se sedutoramente contra árvores. A identificação de Shri, a deusa que corporifica o poder do crescimento, com os Yakshas é natural. Ela, assim como eles, envolve-se e revela-se na irreprimível fecundidade da vida, como exemplificado na lenda de Shiva e o marmelo, e também em sua associação com o lótus.
Há também uma associação bem interessante entre a deusa Lakshmi e o deus Indra. Indra é conhecido como o deus dos deuses, o primeiro dos deuses, é geralmente descrito como o deus celestial. Por isso é apropriado a Shri-Lakshmi ser associada à ele como sua esposa ou consorte. Nesses mitos ela aparece como a personificação da autoridade real, como sendo aquela cuja presença é essencial para o manuseio do poder real e à criação da prosperidade real.
Muitos mitos desse gênero descrevem Shri-Lakshmi como deixando um governante após o outro. Dizem que ela mora até com um demônio chamado Bali. Essa lenda deixa clara a união entre Lakshmi e reis vitoriosos. De acordo com essa lenda Bali derrota Indra. Lakshmi é atraída para as maneiras vitoriosas de Bali e sua coragem e se une a ele juntamente com suas virtudes auspiciosas. Associado à deusa adequada, Bali reina os três mundos (terra, céus e submundos) com virtude, e sob seu reinado há prosperidade em todos os lugares. Somente quando os deuses destronados conseguem enganar Bali para rende-lo é que Sarasvati o deixa, deixando-o apagado e impotente. Junto com Lakshmi, também suas qualidades o abandonam: boa conduta, comportamento virtuoso, verdade, atividade e força.
A associação de Lakshmi com tantas divindades masculinas e com a notória velocidade da boa sorte deu a ela a reputação de ser inconstante e leviana. Há um outro texto que diz que ela é tão volúvel que até mesmo em uma figura ela se move e que se ela continua com Vishnu é somente porque está atraída por suas muitas formas (avatares)! Ela também é conhecida como Chanchala, ou a incansável.
Sua inconstância convenceu seus devotos que ela pode deixá-los pelo menor motivo. Por isso eles desenvolveram diversas estratégias para prender Lakshmi, e também a prosperidade em seus estabelecimentos. Há uma seita conhecida por oferecer somente o pior tecido de malha como yastra (vestimenta) para Lakshmi; eles dizem: "É muito mais fácil para a Deusa Lakshmi abandonar nossos lares vestida em amplas faixas de tecido do que escassamente vestida no mínimo tecido que nós oferecemos a ela como vestimenta!".
No sentido mitológico, sua instabilidade e natureza aventureira lentamente começam a mudar já que ela é totalmente identificada com Vishnu, e finalmente se torna calma. Dessa maneira ela se transforma na esposa fixa, obediente e leal que reza para reunir-se ao marido em todas suas próximas vidas. As imagens mostram-na sentada no chão perto de onde seu lorde se reclina em um trono, inclinando-se a ele; um modelo de decoro social.
Fisicamente a Deusa Lakshmi é descrida como uma mulher formosa, com quatro braços, sentada em um lótus, vestida com roupas finas e jóias preciosas. Ela possui um semblante gentil, está no máximo de sua juventude e mesmo assim tem uma aparência maternal.
A característica mais chamativa em Lakshmi é sua associação persistente com o lótus. O significado do lótus em relação à Shri Lakshmi se refere à pureza e ao poder espiritual. Com as raízes na lama e desabrochando acima da água, completamente livre da lama, o lótus representa a autoridade e perfeição espiritual. Além disso, o ato de sentar-se no lótus é um motivo comum nas iconografias Budista e Hindu. Os deuses e deusas, os Buddhas e Bodhisattvas, geralmente sentam-se ou estão de pé sobre um lótus, o que sugere sua autoridade espiritual. Estar sentado sobre ou estar de alguma outra maneira associado ao lótus sugere que o ser em questão: Deus, Buddha, ou ser humano - transcendeu as limitações do mundo finito (a lama da existência) e bóia livremente numa esfera de pureza e espiritualidade. Shri-Lakshmi assim sugere mais que os poderes fertilizantes do solo úmido e que os misteriosos poderes do crescimento. Ela sugere a perfeição e um estado de refinamento que transcende o mundo material. Ela é associada não somente com a autoridade real mas também com autoridade espiritual, e combina os poderes reais e sacerdotais em sua presença. O lótus, e a deusa Lakshmi por associação, representa o desabrochar completo da vida orgânica.
Mas a deusa Lakshmi não pode ser descrita completamente sem que se mencione seu tradicional veículo, a coruja (Ulooka em Sânscrito). Dizem que por causa da sua natureza letárgica e estúpida a Deusa a leva para um passeio! Ela é a criada daqueles que sabem como controla-la; como aproveitar o máximo de seus recursos, assim como o Lorde Vishnu. Mas aqueles que a adoram cegamente são na verdade as corujas ou 'Ulookas'. A escolha é nossa: queremos ser Lorde Vishnu ou 'Ulooka' em nossa associação com Lakshmi?

quinta-feira, agosto 17, 2006

Inquestionável


Meu amor, meu amor, meu amor...

Ambos sabemos que o nosso amor é perfeito, embora o modo como o expressamos nem sempre o seja. Ambos sabemos que nada é mais importante do que a partilha do nosso querer, do nosso tempo, do nosso espaço. Ambos sabemos que dentro do peito temos algo que é inquestionável e que por isso não há distâncias, diferenças, acontecimentos, divergências, incompatibilidades, trabalhos, estudos, nostalgias, oceanos, luares, sombras ou nuvens que nos afastem. E tudo isto simplesmente porque não há "tu" sem "mim" e eu não existo sem ti.

Esta é a nossa certeza, meu amor...

Bactérias

Quero uma destas!

terça-feira, agosto 01, 2006

Biotecnologia: dois pesos, duas medidas

Fernando Reinach*

Quando o Ministério da Agricultura descobriu que quase 20% da área plantada com algodão no Brasil está coberta com variedades transgênicas, perguntou à Comissão Técnica de Biossegurança o que deveria fazer. A CTNBio mandou cumprir a Lei de Biossegurança: as variedades não aprovadas devem ser destruídas, os resíduos enterrados e os fazendeiros, multados. Tudo correto, afinal lei é para ser cumprida.

O que os fazendeiros não sabem é que estão sendo discriminados. Enquanto o Ministério da Agricultura providencia a destruição das lavouras, o Ministério da Saúde está em plena campanha de vacinação para imunizar as crianças com uma vacina transgênica contra hepatite B que também não foi aprovada pela CTNBio.

A Lei de Biossegurança é clara. Antes de ser comercializado, todo produto biotecnológico, seja ele uma variedade de algodão ou uma vacina, tem de ser considerado seguro pela CTNBio. Essa decisão tem de ser referendada por um conselho de ministros. Tudo indica que o governo está comprando uma vacina ilegal e injetando nas crianças (assunto do artigo Injetaram proteína transgênica no meu filho!, publicado nesta seção, em 26 de abril).

Não tenho nada contra a vacina contra hepatite B. Seu desenvolvimento pelo Instituto Butantã, ligado ao governo do Estado, é um dos exemplos de como é possível desenvolver vacinas com tecnologia de ponta no País. Além do mais, a vacina é semelhante à existente em outros países e sua utilização deve salvar muitas vidas.

Também não tenho nada contra as variedades de algodão transgênico. Elas diminuem o uso dos inseticidas, já foram aprovadas por diversos órgãos regulatórios em outros países e vêm sendo plantadas faz anos nos EUA. Ambos os produtos são importantes para o Brasil.

Mas como dois produtos tão importantes não foram examinados e aprovados pela Comissão Técnica de Biossegurança? A vacina contra hepatite B não foi sequer submetida à CTNBio para avaliação. Os dados sobre sua segurança não estão disponíveis e não se sabe quem autorizou sua utilização sem aprovação da CTNBio. Tampouco se tem notícia de que a comissão ou o Ministério Público tenham notificado oficialmente o Ministério da Saúde sobre a possível ilegalidade. O processo do algodão transgênico está na pilha de processos que a CTNBio deve examinar. Os dados sobre sua segurança são públicos, mas dificilmente esse produto será aprovado, uma vez que o próprio presidente da República, sob orientação do Ministério do Meio Ambiente, vetou parte da Lei de Biossegurança aprovada pelo Congresso e a substituiu por um decreto que na prática torna quase impossível um produto comercial ser aprovado no País.

Apesar do veto, o governo afirma que é a favor da biotecnologia. Ela é uma das áreas prioritárias do programa de inovação do governo federal, que tem como objetivo propiciar o desenvolvimento do País fomentando empresas de biotecnologia.

Talvez sirva de consolo ao agricultor que vai falir quando destruírem sua plantação ilegal de algodão transgênico que ao menos seus filhos estão protegidos contra a hepatite B por uma vacina tão ilegal quanto sua plantação. Charles de Gaulle tinha razão, este país não é sério.

Amor Irracional


Você tem a mania de levar tudo muito a ferro e fogo e fica criando regras loucas pra esse nosso jogo. E adora levar tudo de um jeito irracional, tratando os sentimentos como coisa tão banal. E como resultado disso a tristeza fica rondando nosso leito, à espreita e insatisfeita. Está na hora de pagar o preço, o amor não é de graça e nem cortina de fumaça. Pois quando o sol nascer e a verdade encontrar em nossa casa um novo lar você vai entender que eu te amo irracionalmente. Chega de perguntas sem respostas! Minhas feridas estão abertas pra todo mundo ver. Deixo a maquiagem e todas essas bobagens de lado. Deixa o leite derramar. Porque quando o dia raiar, a verdade vai pra nossa casa e lá ela fará seu lar. Aí você vai entender que eu te amo IRRACIONALMENTE.

(Baseado em Rodrigo Leão)