segunda-feira, maio 14, 2007

Paganismo e Cidadania



Se você não é um monge budista, uma freira carmelita descalça ou um ermitão, então com certeza já deve ter ouvido essa palavra: CIDADANIA. Mas será que sabe o que ela significa? E o que ela tem a ver com o paganismo?

Voltando do sítio ontem à noite, pela Rodovia Bunjiro Nakao (uma estradinha tortuosa que liga Vargem Grande Paulista à Piedade), eu fiquei impressionada com a quantidade de motoristas, geralmente em seus carros último modelo, que, sem ter noção nenhuma de respeito ao próximo, ignoravam completamente as “regras de etiqueta rodoviária” (leia-se “Código de Trânsito”) e simplesmente grudavam na traseira do nosso carro com a luz alta praticamente cegando o motorista em todos os espelhos, forçando-nos a sair da estrada (sem acostamento), só porque seu carro era mais novo ou mais potente (ta, podem até existir outros motivos, de repente o cara estava indo tirar o pai da forca, ou então estava com uma tremenda diarréia, eu particularmente torço pela segunda opção). O que eu me pergunto é: será que essas pessoas se esqueceram completamente o que é viver em sociedade?

A realidade em que vivemos está cada vez mais nos fazendo acreditar que quanto mais temos, mais podemos. Não existe mais o conceito de que “todos são iguais perante a lei”, e essa imagem é reforçada diariamente quando vemos televisão ou lemos nos jornais aqueles que deveriam servir de exemplo máximo de integridade, nossos governantes, comendo pizza nas CPIs do Congresso. Ou seja, “se eu tenho dinheiro pra comprar um Corola 2007, por que tenho que ficar atrás desse carro velho? Sou melhor e mereço estar sempre na frente” tsc tsc tsc. O que esse ser merece são umas boas palmadas!!!

O que mais me dá esperança é o fortalecimento do neopaganismo. A partir do momento que acreditamos que os deuses estão em todos os lugares, e não apenas no céu vigiando todo mundo com seu olhar inquisidor e punidor, e sabemos que nossas contas são pagas aqui, e às vezes agora, e não no Dia do Juízo Final, passamos a respeitar mais aqueles com quem convivemos. Nós acreditamos (pelo menos EU acredito) nos deuses que vivem nas pessoas. Por exemplo, já pensou furar uma fila no banco e ficar bem na frente de uma Nêmesis com pressa e mil contas a pagar? Xiii......

Quando colocamos um Deus lá no céu, podemos fazer o que quisermos com a Terra. Mas nós já sabemos as conseqüências disso, não é mesmo? Aquecimento global, poluição, desmatamento, desigualdade social, fome... Já o paganismo traz os deuses de volta! Nós convivemos com eles, somos seus templos, seus locais de adoração. Isso torna nossa rotina num ato de viver sagrado.

São esses os valores que o paganismo tem que passar para as próximas gerações. Ao invés de se ficar discutindo sobre (auto)iniciação, rodas do ano e quem está certo ou errado, quem pode mais ou menos, quem é grande ou não, a maior responsabilidade dos pagãos hoje em dia é transmitir as idéias de RESPEITO, INTEGRIDADE, HONESTIDADE e CIDADANIA. Quem sabe assim o paganismo possa finalmente ser levado a sério!

quinta-feira, abril 26, 2007

Adoração à Mãe


Swami Vivekananda (Obras Completas – Vol. VI)

Os dois fatores conjuntos de percepção dos quais nós nunca conseguimos nos livrar são a felicidade e a infelicidade – as coisas que nos trazem dor também nos trazem o prazer. O nosso mundo é feito dessas duas coisas. Nós não podemos nos livrar delas; elas estão presentes no pulsar da vida. O mundo está ocupado tentando reconciliar esses opostos e os sábios tentando achar a solução dessa mistura dos opostos. O escaldante calor da dor é interrompido por breves descansos, os débeis raios de luz cortam a escuridão em flashes intermitentes apenas para realçar a profunda escuridão.


As crianças nascem otimistas, mas o resto da vida mostra-se uma contínua desilusão; sequer um ideal pode ser completamente alcançado, a sede mal pode ser completamente mitigada. Dessa forma se continua na busca da solução para esse enigma, e a religião assumiu para si essa tarefa.

Nas religiões dualistas, entre os persas, havia um Deus e um Satã. E isso, através dos judeus se espalhou por toda a Europa e América. Essa era uma hipótese que funcionava há milhares de anos atrás; mas agora nós sabemos, ela não é sustentável. Não existe nada absolutamente bom ou ruim; uma coisa é boa para uma pessoa e ruim para outra; o mal hoje, o bem amanhã e vice-versa....

No princípio Deus era, é claro, o Deus de um clã, então Ele se tornou o Deus dos deuses. Com os antigos egípcios e os babilônios essa idéia (dessa dualidade Deus/Satã) era aplicada de forma muito prática. O Moloch deles se tornou o Deus dos deuses e os deuses capturados eram forçados a prestar reverência em Seu templo.

Ainda assim o enigma continua: Quem é responsável por esse mal? Muitos esperam o impossível de que tudo é bom e que somos nós que não entendemos. Nos agarramos às migalhas enquanto enterramos nossas cabeças na areia. Mas ainda assim todos nós seguimos a moralidade que tem como âmago o sacrifício – não eu mas Vós. E ainda assim, como tudo isso se choca com a idéia de um grande e bom Deus do universo! Ele é tão egoísta, a pessoa mais vingativa que conhecemos, com suas pragas, a fome e a guerra!

Todos nós devemos ter experiências nesta vida. Podemos tentar fugir das experiências amargas, mas mais cedo ou mais tarde elas nos alcançam. E eu tenho pena do homem que não encara o todo.

O Manu Deva dos Vedas na Pérsia foi transformado em Arimã. A explicação mitológica dessa questão estava morta, mas a pergunta permaneceu. E não houve resposta. Ficou sem solução.
Mas havia uma outra idéia nos antigos hinos védicos à Deusa: “Eu sou a luz. Eu sou a luz do sol e da lua; eu sou o ar que anima todos os seres”. Este foi o embrião que mais tarde se desenvolveu na adoração à Mãe. Na adoração à Mãe não se faz diferença entre pai e mãe. A primeira idéia que se depreende é a idéia da energia – Eu sou o poder que reside em todos os seres.

O bebê é corajoso. Ele prossegue até se tornar um homem de poder. A idéia de bem e mal no início era indiferenciada, não havia ainda sido desenvolvida. Uma consciência em desenvolvimento tem o poder como sua idéia principal. Resistência e esforço a cada passo são a lei. Nós somos o resultado dessas duas coisas, energia e resistência, poder interno e externo. Cada átomo está criando e resistindo a todos os pensamentos na mente. Tudo o que nós vemos e conhecemos não é senão o resultado dessas duas forças.

Essa idéia de Deus é algo novo. Nos hinos védicos Varuna e Indra banham os devotos com os mais preciosos presentes e bênçãos, uma idéia muito humana, mais humana que o próprio homem.

Esse é o novo princípio. Existe apenas um poder por detrás de todo o fenômeno. Poder é poder em todos os lugares, quer seja na forma do mal ou como salvador do mundo. Então essa é a nova idéia. A velha idéia era homem e Deus. E aqui está a primeira abertura da idéia de um poder universal.

Eu estico os arcos de Rudra quando Ele deseja destruir o mal” (Rig Veda, X. 125, Devi-Sukta).

Logo no começo do Bhagavad Gita encontramos (IX, 19, também X. 4-5): “Ó Arjuna, Eu sou a existência e a não-existência, Eu sou o bem e o mal, Eu sou o poder dos santos, eu sou o poder dos perversos.” Mas logo, aquele que fala remenda a verdade e essa idéia adormece. Eu sou o poder no bem enquanto se executam as boas obras.

Na religião da Pérsia, havia a idéia de Satã, mas na Índia não existe nenhum conceito de Satã. Mais tarde os livros começaram a trazer esta nova idéia. O mal existe e não há como se esquivar desse fato. O universo é um fato; e se ele é um fato, ele é uma grande mistura do bem e do mal. Quem quer que governe deve governar sobre o bem e o mal. Se esse poder nos faz viver, esse mesmo poder nos faz morrer. O riso e a lágrima são parentes, e existem mais lágrimas do que risos no mundo. Quem fez as flores, quem fez os Himalaias? – um Deus muito bom. Quem fez meus pecados e minhas fraquezas? – Karma, Satã, ser. O resultado é um universo manco e naturalmente o Deus do universo é um Deus manco.

A vista da absoluta separação entre o bem e o mal, como duas realidades com existências apartadas, nos torna antipáticos, de corações embrutecidos. A boa mulher repudia a prostituta. Por quê? Ela pode ser infinitamente melhor que você em muitos aspectos. Esta visão traz um ciúme e um ódio eterno no mundo, eternas barreiras entre homem e homem, entre o homem bom e aquele comparativamente menos bom ou mesmo mau. Essa visão brutal é puro mal, pior do que o próprio mal. Bem e mal não tem existências separadas, mas existe uma evolução do bem, e aquilo que é menos bom nós chamamos mal.

Alguns são santos, outros pecadores. O sol brilha sobre o bem e o mal da mesma forma. Existe alguma distinção para ele?

A velha idéia da paternidade de Deus está conectada com a doce noção de um Deus responsável pela felicidade. Nós queremos negar os fatos. O mal é não-existente, é zero. O “Eu” é o mal e existe demais. Sou eu um “zero”?. Todos os dias tento me ver assim e falho. Todas essas idéias são tentativas de se esquivar do mal, mas nós temos que encará-lo. Encarar o todo! Por acaso eu assinei algum contrato de amar a Deus apenas parcialmente, quando ele me dá felicidade e aquilo que é bom e não quando ele me apresenta a infelicidade e o mal?
A luz sob a qual uma pessoa falsifica uma assinatura e uma outra assina um cheque de milhares de dólares para mitigar a fome, brilha sobre ambos, não conhece nenhuma diferença. A luz não conhece o mal – você e eu fazemos dela algo bom ou mal.

Esta idéia deve ter um novo nome. Ela é chamada Mãe, porque num sentido literal ela teve início há muito tempo atrás com uma escritora sendo elevada à categoria de deusa. Então veio o Sânkhya, e com ele toda a energia é feminina. O imã está imóvel e as limalhas de ferro estão ativas.

O mais elevado de todos os papéis femininos na India é o da mãe, mais elevado que o de esposa. Esposa e filhos podem abandonar um homem, mas sua mãe nunca o abandona. A mãe o ama da mesma forma ou talvez até um pouco mais. A mãe representa o amor transparente que não conhece troca, o amor que nunca morre. Quem pode ter tal amor? – somente a mãe, não o filho, nem a filha ou a esposa.

“Eu sou o Poder que se manifesta em todos os lugares”, diz a Mãe – É Ela quem está criando este universo, e é Ela quem em seguida o destruirá. Desnecessário dizer que a destruição é apenas o começo da criação. O pico de um monte é apenas o início de um vale.

Seja corajoso, encare os fatos como fatos. Não julgue o universo pelos seus males. Males são males. E daí?

Afinal de contas, tudo não passa de um jogo da Mãe. Nada muito sério. O que poderia mover a Toda Poderosa? O que fez a Mãe criar o universo? Ela poderia não ter nenhuma meta. Porquê? Porque a meta é algo que ainda não foi atingido. Por que, então, existe a criação? Apenas por diversão. Nós nos esquecemos disto e começamos a brigar e a sofrer a infelicidade. Nós somos os companheiros de jogos da Mãe.

Olhe a tortura que a mãe suporta para criar o bebê. Será que ela desfruta disto? Certamente. Jejuando e rezando e vigiando. Ela a ama mais do que a qualquer outra coisa. Porquê? Porque não existe egoísmo.

O prazer virá – bom: quem o proíbe? A dor virá – dê as boas vindas a ela também. Um mosquito estava pousado sobre o chifre de um touro; então sua consciência o incomodou e ele disse: “Sr. Touro, eu estou pousado no seu chifre há um bom tempo. Talvez eu o esteja incomodando. Desculpe-me, eu irei embora.” Mas o touro respondeu, “Oh, não, absolutamente! Traga toda a sua família e vivam todos no meu chifre; que mal vocês podem me fazer?”

Por que não podemos dizer a mesma coisa para a infelicidade? Ser corajoso é ter fé na Mãe!

“Eu sou a Vida, Eu sou a Morte”. Ela é aquela cuja sombra é a vida e a morte. Ela é o prazer em todos os prazeres. Ela é a infelicidade em toda a infelicidade. Se a vida vem, é a Mãe; se a morte vem, é a Mãe. Se o paraíso vier, é Ela. Se vier o inferno, ali está a Mãe. Mergulhe nEla. Nós não temos nem fé, nem paciência para ver isso. Nós confiamos no homem da rua, mas existe um ser neste universo em quem nunca confiamos. E esse é Deus. Nós confiamos nEle quando ele funciona a nosso favor. Mas chegará o momento quando, golpe após golpe, a mente auto-suficiente morrerá. Em tudo o que fazemos, a serpente do ego está se elevando. Somos felizes por existirem tantos espinhos no caminho, porque eles ferem a serpente.

Por último virá a auto-entrega. Só então seremos capazes de nos entregar à Mãe. Se a infelicidade chega, que seja bem-vinda. Se a felicidade chega, que seja bem-vinda. Só assim, quando chegarmos a esse amor, tudo o que é torto se endireitará. O brahmin, o pária e o cachorro serão vistos da mesma forma. Até que amemos o universo com a mesma visão, com um amor imparcial e imortal, estaremos sempre perdendo. Mas então tudo haverá desaparecido e veremos em tudo a mesma infinita e eterna Mãe.


O beijo proibido


Índia ordena prisão de Richard Gere por beijo



JAIPUR, Índia (Reuters), 26 de maio - Um tribunal indiano ordenou nesta quinta-feira a prisão do astro de Hollywood Richard Gere por ter beijado a atriz de Bollywood Shilpa Shetty num evento da campanha anti-Aids realizado este mês, dizendo que o beijo foi um ato obsceno cometido em público.


Os beijos repetidos dados por Gere na face de Shetty num evento para promover a conscientização da Aids em Nova Délhi provocaram protestos em partes da Índia, principalmente por parte de grupos de defesa dos valores hindus, que viram os beijos como ultraje ao pudor da atriz e afronta à cultura indiana.


A ordem emitida por um tribunal de Jaipur, no norte da Índia, foi dada em resposta a uma queixa formulada por um advogado local.


O juiz assistiu a uma gravação em vídeo de Gere beijando Shetty e considerou o ator culpado de infringir as leis indianas contra a obscenidade pública, disse o advogado, Poonam Chand Bhandari.


O tribunal convocou Shilpa Shetty a comparecer em 5 de maio, disse Bhandari, acrescentando que um mandado de prisão foi emitido contra Gere.


Se for detido, o ator poderá ser preso por até três meses ou multado, ou, ainda, ambas as coisas. Ele não está na Índia no momento, mas poderá ser preso se voltar ao país.


O astro de Hollywood é budista devoto e forte defensor da causa tibetana. Ele costuma fazer viagens frequentes à Índia para encontrar o Dalai Lama, que vive no exílio no norte da Índia.


Gere também está envolvido com entidades beneficentes que cuidam de órfãos e soropositivos, além de grupos de prevenção da Aids na Índia.


Grupos de homens queimaram e chutaram bonecos de palha representando Gere e Shetty em protestos esporádicos realizados em várias partes do país, depois de os jornais publicaram a foto do beijo em suas primeiras páginas e de a TV exibir a cena.


Shilpa Shetty, vencedora do "Celebrity Big Brother" da televisão britânica este ano, disse que o beijo "pode ter sido um pouco exagerado", mas que não foi obsceno, e que os protestos fazem a Índia parecer um país atrasado.


Ela disse que Gere estava apenas reencenando alguns trechos de sua atuação no filme "Dança Comigo?" para divertir o público do evento anti-Aids e comunicar-se em estilo de Bollywood, já que não fala hindi.


Muitos comentaristas já expressaram seu repúdio diante do que, afirmam, são grupos marginais que querem criar uma tempestade em copo d'água em torno de um inofensivo beijo no rosto.

quarta-feira, abril 18, 2007

Pra começar bem o dia

7h20 da manhã e eu presa num engarrafamento na Av. Rebouças, atrasada pra minha aula que começaria às 7h30 no Shopping Villa Lobos... Surtar??? Não! Melhor colocar um CD pra animar. Afinal, o que não tem remédio, remediado está. É sempre bom ter em mão um CD com músicas selecionadas para essa ocasião. Eu tenho o meu. Começa com Sidney Magal!!! Depois tem Cindy Lauper, Madonna, e muito mais! Não tem como ficar mal! Dessa forma, eu chego na minha primeira aula com um super astral e o dia fica beeem mais leve. Dá só uma olhada nessa música do Sidão (já somos íntimos!)

Tenho
Sidney Magal


Tenho
Um mundo de sensações
Um mundo de vibrações
Que posso te oferecer

Tenho
Ternura para brindar-te
Caricias para entregar-te
Meu corpo pra te aquecer

(refrão)
Serão os dias mais felizes
Se vives junto a mim
Espero que decidas
É só dizer que sim

Tenho
Mil braços para abraçar-te
Mil bocas para beijar-te
Mil noites para viver

Tenho
Um mundo que é cor de rosa
De coisas maravilhosas
Que tanto sonhavas ter

(refrão)

quarta-feira, abril 04, 2007

Uma lição da Deusa - Shankaracharya


Você pode achar que nunca ouviu falar de Shankaracharya, mas é provável que você mesmo ou alguém que conheça tenha sido influenciado pelo seu pensamento. Shankara foi um dos primeiros yogis a divulgar amplamente a idéia de que o mundo é um total "maya", uma ilusão, e que nós na realidade, somos todos um.

Ele foi um dos pensadores mais influentes da história asiática. Entretanto, na maior parte da sua vida, desprezou o princípio feminino, considerando tudo o que dissesse respeito à matéria ou ao desejo uma condição inferior do ser.Certo dia, no final de sua curta vida, quando estava entrando em um templo de Shiva, Shankaracharya encontrou uma mulher histérica de casta inferior bloqueando seu caminho. Ela soluçava descontroladamente sobre o cadáver do marido. Shankara achou a cena repugnante e desagradável.

- Saia do meu caminho! - ordenou.
A mulher iletrada olhou para ele com desconfiança.
- Voce não é o mestre que diz que todas as coisas são Brahman, que todas as coisas são Deus, que não há impureza em lugar algum? - retrucou ela, com amargura. - Se eu não sou impura, por que devo sair do seu caminho? Se eu sou a realidade onipresente, com "posso" sair do seu caminho?
Shankara ficou chocado demais para responder.

A mulher ainda não tinha terminado.

- O seu poderoso Brahman não é mais do que isto! - gritou ela, apontando o marido morto.
Naquele momento, a mente do grande pensador se abriu com violência. Ele se lembrou de uma das imagens mais dramáticas da vasta iconografia religiosa da Índia: a esfarrapada Deusa Kali pressionando o cadáver do Deus Shiva. "Sem o poder Dela, o próprio Shiva não é capaz de se erguer", dizem os shaktas, os adoradores da Deusa.
Naquela fração de segundo, Shankara compreendeu que, ao negligenciar a Deusa, ele perdera a própria essência da vida. Imaginando Brahman como consciência totalmente abstrata, pura e imóvel, ele tinha esquecido o aspecto fecundo, criativo e vivo da realidade, o feminino. Agora, a própria Kali estava se manifestando para fazê-lo lembrar da sua glória.
Para horror dos seus discípulos, Shankaracharya ajoelhou-se e segurou os pés da mulher, agradecendo-lhe pela lição.
- Não, você não é impura. A minha mente é que era impura. Nunca encontrei um mestre maior do que você.
Shankara desistiu de escrever sobre filosofia e passou os últimos anos de sua vida compondo poemas extáticos para a Deusa, alguns dos quais ainda são considerados como os mais lindos entre os versos do idioma sânscrito.
Através dos séculos, desde Shankara, as mulheres de percepção extraordinária, quer festejadas, quer anônimas como a pesarosa viúva, deixaram as suas marcas indeléveis na espiritualidade indiana, com ou sem a aprovação da sociedade.
Hoje mulheres semelhantes andam pelo solo da Índia. Algumas cuidam de suas famílias em aldeias rurais inatingíveis por qualquer estrada pavimentada. Algumas estudam ou ensinam em universidades. Algumas vivem invisivelmente em choupanas nas florestas e em cavernas nas montanhas.

ECOPAGANISMO


É difícil fazer com que um homem entenda algo quando seu salário depende que ele NÃO entenda algo”.
Upton Sinclair

A humanidade está sentada em cima de uma bomba-relógio. Se a grande maioria dos cientistas estiver correta, nós temos apenas 10 anos para evitar uma grande catástrofe que poderia mandar nosso planeta as cucuias, com uma destruição em escalas épicas envolvendo um clima extremo, enchentes, secas, epidemias, ondas de calor assassinas, algo além de tudo que nós um dia pudemos imaginar.

O que é AQUECIMENTO GLOBAL???

O dióxido de carbono e outros gases esquentam a superfície do planeta naturalmente, prendendo o calor solar na atmosfera. Isso é bom porque mantém nosso planeta habitável. No entanto, queimando combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo e destruindo florestas, nós aumentamos dramaticamente a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera da Terra e as temperaturas estão aumentando.

A grande maioria dos cientistas concorda que o aquecimento global é real, já está acontecendo e que é resultado de nossas atividades, e não uma ocorrência natural. A evidência é impressionante e inegável.

Nós já estamos vendo mudanças. As geleiras estão derretendo, plantas e animais estão sendo retirados à força de seus habitat, e o número de tempestades graves e secas está aumentando.


- O número de furacões de categorias 4 e 5 quase dobrou nos últimos 30 anos.
- A malária se espalhou para altitudes mais altas como os Andes colombianos.
- A vazão de gelo das geleiras na Groelândia mais que dobrou na última década.
- Pelo menos 279 espécies de plantas e animais já estão sentindo os efeitos do aquecimento global, mudando-se para mais perto dos pólos.


Se o aquecimento continuar, nós podemos esperar por conseqüências catastróficas.

- Mortes ocasionadas pelo aquecimento global vão dobrar em apenas 25 anos – para 300.000 pessoas por ano.
- O nível do mar pode subir mais de 6 metros com o derretimento da camada de gelo na Groelândia e Antártica, devastando as áreas costeiras ao redor do mundo.
- Ondas de calor serão mais freqüentes e mais intensas. Secas e incêndios ocorrerão mais vezes. O Oceano Ártico pode não ter gelo nenhum no verão de 2050.
- Mais de um milhão de espécies ao redor do mundo podem ser levadas à extinção até 2050.


A boa notícia é que nós podemos resolver esse problema. Na verdade, nós temos uma obrigação moral de fazer isso. Pequenas mudanças na sua rotina podem fazer uma grande diferença para ajudar a parar o aquecimento global. A hora de nos juntarmos para resolver esse problema é AGORA!!!!!!!!!!!!

O que você pode fazer em casa???


- troque as lâmpadas incandescentes por lâmpadas fluorescentes;
- limpe regularmente os filtros do ar-condicionado;
- use menos água quente;
- seque as suas roupas no varal ao invés de usar secadora;
- desligue e tire da tomada equipamentos eletrônicos que não estão sendo utilizados;
- só use a lava-louças se estiver completamente cheia;
- recicle!
- compre produtos de papel reciclado;
- plante MUITAS árvores;
- compre alimentos produzidos perto da sua casa;
- compre comida fresca ao invés de congelada;
- opte por comida orgânica sempre que puder;
- evite produtos muito embalados;
- coma menos carne.

O que você pode fazer enquanto se desloca???


- reduza o número de quilômetros que você dirige seja andando, pedalando, pegando carona com um amigo, ou utilizando transporte público sempre que puder;
- faça um esquema de rodízio com seus colegas de trabalho ou amigos, cada um dá carona aos outros num dia;
- mantenha seu carro regulado;
- calibre os pneus semanalmente;
- quando for trocar de carro, escolha um mais eficiente;
- voe menos de avião (o que não vai ser difícil por aqui, com todo esse caos nos aeroportos!!!).

Ajude a mudar localmente, nacionalmente e internacionalmente!

Suas ações para reduzir o aquecimento global podem se ampliadas além da redução de suas próprias emissões. Todos nós temos alguma influência em nossas escolas, locais de trabalho, negócios, e sociedade dependendo de como nós compramos, investimos, participamos e votamos.


- Encoraje sua escola ou trabalho a reduzir emissões;
- Junte-se à marcha virtual (
http://www.stopglobalwarming.org/);
- Encoraje a troca para energia renovável (
http://www.votesolar.org/);
- Proteja e conserve a florestas do mundo (
http://www.conservation.org/);
- Considere o impacto dos seus investimentos;
- Mantenha sua cidade legal;
- Diga ao Congresso que AJA!!!
Tenha certeza de que sua voz é ouvida.

sexta-feira, março 02, 2007

A Chegada do Sol

Pois é, chegou nesse finzinho de verão, e chegou causando! Tem o olhar mais doce do mundo, mas é muito bagunceiro!!! Sua brincadeira favorita é derrubar seu pote de água e deitar em cima. Talvez seja essa a única maneira de apaziguar seu calor... Lindo, lindo, lindo... Impossível não se apaixonar por SURYA.


Uma Introdução ao Hinduísmo

Há algum tempo, desde que assumi o nick Sarasvati, venho estudando e divulgando as raízes do pensamento Hindu, que muitos poucos conhecem. Resolvi começar essa tarefa desmistificando algumas deusas, como Kali, Lakshmi, Parvati entre outras, que eram mal-interpretadas pela comunidade pagã. Mas percebi que deixei uma lacuna, pois é preciso que se conheça as bases da cultura para que se possa compreendê-la. Por esse motivo resolvi publicar esse artigo, que não tem a “pretensão” de explicar o inexplicável, mas sim de lançar uma semente para que, a partir dele, os leitores possam por si mesmos procurar entender e compreender o pensamento indiano.
O Hinduísmo é essencialmente um fenômeno indiano. É a fé dominante na Índia, praticado por mais de 80% da população. Já que a religião é um modo de vida, o Hinduísmo forma uma parte integral de toda a tradição indiana. Eu vou apresentar aqui somente uma breve discussão nas bases dessa religião universal.

Definição

Não é nem um pouco fácil definir Hinduísmo, pois ele é mais do que uma religião no sentido ocidental. Também conhecido por seus praticantes por Sanatana Dharma, o que significa religião duradoura ou religião/verdade/regra eterna, o Hinduísmo pode ser mais bem definido como um modo de vida baseado nos ensinamentos de sábios e escrituras antigas como os Vedas e os Upanishads. A palavra dharma conota ‘o que sustenta o universo’ e na verdade significa qualquer caminho de disciplina espiritual que leva a Deus.

O Hindu Dharma pode ser comparado a uma árvore frutífera, com suas raízes representando os Vedas e os Upanishads, seu tronco grosso simbolizando as experiências espirituais de inúmeros sábios e santos, seus galhos representando várias tradições teológicas, e os frutos em si, com diferentes tamanhos e formas, simbolizando várias seitas e subseitas. No entanto, o conceito de Hinduísmo resiste abertamente a uma definição definitiva devido sua singularidade.

Singularidade

O Hinduísmo não tem um fundador, ou qualquer doutrina central para onde as controvérsias possam se referir para uma resolução. Também não há um ponto no tempo quando pode-se dizer que ele se iniciou. Não é necessário que seus partidários aceitem qualquer idéia, e por isso é cultural, não doutrinário, com uma história contemporânea às pessoas com as quais é associado. Também é marcado por uma atitude que parece acomodar perspectivas religiosas e culturais em vez de perspectivas próprias, e por isso é caracterizado por uma rica variedade de idéias e práticas resultando no que parece ser uma multiplicidade de religiões sob o termo ‘Hinduísmo’.

O Hinduísmo é talvez a única tradição religiosa que é tão diversificada que é como uma compilação de religiões. O Hinduísmo nunca pode ser classificado em qualquer sistema de crença particular – monismo, teísmo, monoteísmo, politeísmo, panteísmo, panenteísmo – já que todos esses sistemas estão refletidos em suas muitas facetas.

Origem

De acordo com os historiadores, a origem do Hinduísmo tem cerca de 5.000 anos ou mais. A palavra Hindu vem do nome do Rio Indo, que corre no norte da Índia. Em tempos antigos o rio era chamado de ‘Sindhu’, mas os persas que migraram para a Índia o chamaram de ‘Hindu’, a terra de ‘Hindustão’ e seus habitantes de ‘Hindus’. Por isso a religião seguida pelos Hindus veio a ser chamada de ‘Hinduísmo’.

Segundo os acadêmicos, a evolução do Hinduísmo pode ser dividida em três períodos: o antigo (6.500 a.C. – 1.000 d.C), o medieval (1.000 a 1.800 d.C.), e o moderno (1.800 d.C. até o presente). O Hinduísmo é considerado a religião mais antiga da história da civilização humana.
Antigamente acreditava-se (inclusive eu!!!) que as doutrinas básicas do Hinduísmo foram trazidas à Índia pelo arianos que invadiram as civilizações do Vale do Indo e se estabeleceram ao longo das margens do rio Indo em torno de 2.000 a.C. No entanto, a suposta invasão do subcontinente indiano pelo Arianos foi invalidada e atualmente é considerada nada mais que um mito.

Princípios Básicos

O Hinduísmo não tem um sistema unificado de crenças e idéias. Ele é um fenômeno e representa um amplo espectro de crenças e práticas que por um lado são parecidas com o paganismo, panteísmo e similares, e por outro lado são idéias metafísicas muito profundas e abstratas.

Já que religião e cultura são termos praticamente permutáveis no Hinduísmo, expressões sentimentais como ‘bhakti’ (devoção) ou ‘dharma’ (o que é certo) e ‘yoga’ (disciplina) são usadas para descrever aspectos essenciais da religião. O Hinduísmo acredita na adoração de ídolos, reencarnação, ‘karma’, ‘dharma’, e ‘moksha’. Alguns ideais morais no Hinduísmo incluem não-violência (acho que a maioria de nós já ouviu falar de como Gandhi conseguiu liderar o povo indiano para lutar contra a dominação britânica partido desse princípio!), autenticidade, amizade, compaixão, coragem, auto-controle, pureza e generosidade (que tal aproveitarmos o ano vindouro para nos inspirarmos em tais princípios???). A vida humana é dividida em quatro estágios, e para cada estágio existem rituais e ritos específicos, desde o nascimento até a morte.

Escrituras

Dois tipos de textos sagrados constituem as escrituras Hindus: o que é ouvido (sruti) e memorizado (smriti).

A literatura sruti se refere à rotina dos antigos santos Hindus que levavam uma vida solitária nas florestas, onde desenvolviam uma consciência que os permitiam ‘ouvir’ ou perceber as verdades do universo. A literatura sruti é dividida em duas partes: os Vedas e os Upanishads.

Há quatro Vedas: o Rig Veda (Conhecimento Real), o Sama Veda (Conhecimento dos Cânticos), o Yajur Veda (Conhecimento dos Rituais Sacrificiais) e o Atharva Veda (Conhecimento das Encarnações).

Já os Upanishads são mais numerosos. Há 108 deles no total. Os 10 mais importantes são: Isa, Kena, Katha, Prashna, Mundaka, Mandukya, Taitiriya, Aitareya, Chandogya e Brihadaranyaka.

A literatura smriti se refere aos poemas e épicos memorizados ou lembrados. Eles são mais populares entre os Hindus, pois são mais fáceis de entender, explicam verdades universais através de simbolismo e mitologia, e contêm algumas das histórias mais bonitas na História da literatura religiosa mundial. Os três textos mais importantes da literatura smriti são:

Bhagavad Gita – A mais conhecida das escrituras Hindus, chamada de “Canção do Divino Mestre”, escrita no 2o. século a.C. e forma a sexta parte do Mahabharata. Ela contém algumas das mais brilhantes lições teológicas sobre a natureza de Deus e da vida que já foi escrita. Também inspirou nosso querido Raul e seu amigo Paulo Coelho a escreverem a canção Gita. Ouçam-na mais uma vez, dessa vez prestando atenção!!!

Mahabharata – O mais longo poema épico, escrito a partir do 9o. século a.C., trata da luta de poder entre as famílias Pandava e Kaurava, com episódios que compõem a vida. É um livro que mostra a formação do povo Hindu, assim como o Velho Testamento conta a história do Povo Judeu. É leitura obrigatória para todos aqueles que um dia pretendem conhecer um pouco dessa cultura tão rica!!!

Ramayana – O mais popular dos épicos Hindus, composto por Valmiki por volta dos 4o. ou 2o. séculos a.C. com adições tardias até o ano 300 d.C. Ele descreve a história do casal real de Ayodha – Rama e Sita e toda uma legião de outros personagens e seus feitos. Esse eu ainda preciso ler... L

Deuses e Deidades

O Hinduísmo acredita que existe apenas uma força suprema e absoluta chamada Brahman. No entanto, o Hinduísmo é mais associado a uma multiplicidade de Deuses e isso não defende a adoração de uma deidade particular. Os Deuses e Deusas do Hinduísmo chegam a milhares, todos representando os muitos aspectos de Brahman.

A mais fundamental das deidades Hindus é a Trindade de Brahma, Vishnu e Shiva – respectivamente o criador, o mantenedor e o destruidor. O Hindus também adoram espíritos, árvores e animais. As Deidades são representadas por uma complexidade de imagens e ídolos simbolizando poderes divinos. Muitos desses ídolos são abrigados em templos ornamentados e beleza e grandeza incomparáveis.

Bom, vou ficando por aqui com a sensação de que não falei nem um quinto do que deveria ter dito... Mas realmente espero ter plantado aquela sementinha e que vocês se sintam mais próximos dessa cultura tão apaixonante que é a cultura Hindu!

TAT TVAM ASI
Sarasvati

sexta-feira, novembro 24, 2006

Lakshmi - Fortuna, Amor e Encanto.


“Om Shrim Maha Lakshmiyei Swaha”
(“Om e saudações a Ela que fornece abundância”)




A Deusa Lakshmi, também conhecida como Shri, é personificada não somente como a Deusa da Fortuna, mas também como a incorporação do amor, da graça e do encanto. Ela é adorada como uma deusa que garante tanto a prosperidade quanto a liberação do ciclo da vida e da morte.
Lakshmi ergueu-se do mar de leite, o oceano cósmico primordial, segurando um lótus vermelho em sua mão. Cada membro da divina trindade - Brahma, Vishnu e Shiva (o criador, o mantenedor e o destruidor respectivamente) - queria tê-la para si. O pedido de Shiva foi recusado porque ele já havia pedido a Lua, Brahma tinha Sarasvati, então Vishnu pediu por ela e ela nasceu e renasceu como sua consorte em todas as suas dez encarnações.
Mas apesar de ter ficado com Vishnu como sua consorte, Lakshmi continuou sendo devota de Shiva. Há uma lenda interessante envolvendo sua devoção a esse deus:
Diariamente Lakshmi pegava mil flores colhidas por suas damas de companhia e as oferecia à imagem de Shiva de noite. Um dia, contando as flores enquanto ela colocava a oferenda, ela descobriu que havia menos que mil. Já era muito tarde para colher mais porque já era noite e os lótus já tinham fechado suas pétalas.
Lakshmi achou que era de mau agouro oferecer menos que mil. De repente ela se lembrou que Vishnu uma vez descreveu seus seios como lótus se abrindo. Ela decidiu oferece-los como as duas flores que estavam faltando.
A deusa cortou um de seus seios e colocou-o com as flores no altar. Antes que ela pudesse cortar o outro, Shiva, que estava extremamente emocionado com a sua devoção, apareceu na sua frente e pediu que parasse. Então ele transformou seu seio cortado em um redondo e sagrado marmelo (Aegle marmelos) e enviou-o à Terra com suas bênçãos, para florescer perto de seus templos.
Alguns textos dizem que Lakshimi é a esposa de Dharma. Ela e muitas outras deusas, todas personificações de certas qualidades auspiciosas, foram dadas em casamento a Dharma. Essa associação parece a princípio representar a união de Dharma (a conduta virtuosa) com Lakshmi (prosperidade e bem-estar). A moral da história é ensinar que agindo de acordo com Dharma é possível obter prosperidade.
Algumas tradições também associam Lakshmi com Kubera, o horrendo lorde dos Yakshas. Os Yakshas foram uma raça de criaturas sobrenaturais que viveram fora dos limites da civilização. Sua conexão com Lakshmi talvez descende do fato que eles foram notáveis por uma propensão para coletar, guardar e distribuir riquezas. A associação com Kubera aprofunda a aura de mistério e conexões com o submundo que se anexam à Lakshmi. Yakshas também são símbolos de fertilidade. As Yakshinis (Yakshas fêmeas) representadas freqüentemente em esculturas nos templos são mulheres com seios cheios e quadris largos com bocas amplas e generosas, inclinando-se sedutoramente contra árvores. A identificação de Shri, a deusa que corporifica o poder do crescimento, com os Yakshas é natural. Ela, assim como eles, envolve-se e revela-se na irreprimível fecundidade da vida, como exemplificado na lenda de Shiva e o marmelo, e também em sua associação com o lótus.
Há também uma associação bem interessante entre a deusa Lakshmi e o deus Indra. Indra é conhecido como o deus dos deuses, o primeiro dos deuses, é geralmente descrito como o deus celestial. Por isso é apropriado a Shri-Lakshmi ser associada à ele como sua esposa ou consorte. Nesses mitos ela aparece como a personificação da autoridade real, como sendo aquela cuja presença é essencial para o manuseio do poder real e à criação da prosperidade real.
Muitos mitos desse gênero descrevem Shri-Lakshmi como deixando um governante após o outro. Dizem que ela mora até com um demônio chamado Bali. Essa lenda deixa clara a união entre Lakshmi e reis vitoriosos. De acordo com essa lenda Bali derrota Indra. Lakshmi é atraída para as maneiras vitoriosas de Bali e sua coragem e se une a ele juntamente com suas virtudes auspiciosas. Associado à deusa adequada, Bali reina os três mundos (terra, céus e submundos) com virtude, e sob seu reinado há prosperidade em todos os lugares. Somente quando os deuses destronados conseguem enganar Bali para rende-lo é que Sarasvati o deixa, deixando-o apagado e impotente. Junto com Lakshmi, também suas qualidades o abandonam: boa conduta, comportamento virtuoso, verdade, atividade e força.
A associação de Lakshmi com tantas divindades masculinas e com a notória velocidade da boa sorte deu a ela a reputação de ser inconstante e leviana. Há um outro texto que diz que ela é tão volúvel que até mesmo em uma figura ela se move e que se ela continua com Vishnu é somente porque está atraída por suas muitas formas (avatares)! Ela também é conhecida como Chanchala, ou a incansável.
Sua inconstância convenceu seus devotos que ela pode deixá-los pelo menor motivo. Por isso eles desenvolveram diversas estratégias para prender Lakshmi, e também a prosperidade em seus estabelecimentos. Há uma seita conhecida por oferecer somente o pior tecido de malha como yastra (vestimenta) para Lakshmi; eles dizem: "É muito mais fácil para a Deusa Lakshmi abandonar nossos lares vestida em amplas faixas de tecido do que escassamente vestida no mínimo tecido que nós oferecemos a ela como vestimenta!".
No sentido mitológico, sua instabilidade e natureza aventureira lentamente começam a mudar já que ela é totalmente identificada com Vishnu, e finalmente se torna calma. Dessa maneira ela se transforma na esposa fixa, obediente e leal que reza para reunir-se ao marido em todas suas próximas vidas. As imagens mostram-na sentada no chão perto de onde seu lorde se reclina em um trono, inclinando-se a ele; um modelo de decoro social.
Fisicamente a Deusa Lakshmi é descrida como uma mulher formosa, com quatro braços, sentada em um lótus, vestida com roupas finas e jóias preciosas. Ela possui um semblante gentil, está no máximo de sua juventude e mesmo assim tem uma aparência maternal.
A característica mais chamativa em Lakshmi é sua associação persistente com o lótus. O significado do lótus em relação à Shri Lakshmi se refere à pureza e ao poder espiritual. Com as raízes na lama e desabrochando acima da água, completamente livre da lama, o lótus representa a autoridade e perfeição espiritual. Além disso, o ato de sentar-se no lótus é um motivo comum nas iconografias Budista e Hindu. Os deuses e deusas, os Buddhas e Bodhisattvas, geralmente sentam-se ou estão de pé sobre um lótus, o que sugere sua autoridade espiritual. Estar sentado sobre ou estar de alguma outra maneira associado ao lótus sugere que o ser em questão: Deus, Buddha, ou ser humano - transcendeu as limitações do mundo finito (a lama da existência) e bóia livremente numa esfera de pureza e espiritualidade. Shri-Lakshmi assim sugere mais que os poderes fertilizantes do solo úmido e que os misteriosos poderes do crescimento. Ela sugere a perfeição e um estado de refinamento que transcende o mundo material. Ela é associada não somente com a autoridade real mas também com autoridade espiritual, e combina os poderes reais e sacerdotais em sua presença. O lótus, e a deusa Lakshmi por associação, representa o desabrochar completo da vida orgânica.
Mas a deusa Lakshmi não pode ser descrita completamente sem que se mencione seu tradicional veículo, a coruja (Ulooka em Sânscrito). Dizem que por causa da sua natureza letárgica e estúpida a Deusa a leva para um passeio! Ela é a criada daqueles que sabem como controla-la; como aproveitar o máximo de seus recursos, assim como o Lorde Vishnu. Mas aqueles que a adoram cegamente são na verdade as corujas ou 'Ulookas'. A escolha é nossa: queremos ser Lorde Vishnu ou 'Ulooka' em nossa associação com Lakshmi?

quinta-feira, agosto 17, 2006

Inquestionável


Meu amor, meu amor, meu amor...

Ambos sabemos que o nosso amor é perfeito, embora o modo como o expressamos nem sempre o seja. Ambos sabemos que nada é mais importante do que a partilha do nosso querer, do nosso tempo, do nosso espaço. Ambos sabemos que dentro do peito temos algo que é inquestionável e que por isso não há distâncias, diferenças, acontecimentos, divergências, incompatibilidades, trabalhos, estudos, nostalgias, oceanos, luares, sombras ou nuvens que nos afastem. E tudo isto simplesmente porque não há "tu" sem "mim" e eu não existo sem ti.

Esta é a nossa certeza, meu amor...